domingo, 13 de novembro de 2011

Vênus Negra

Vênus Negra
Com “Vênus Negra”, o diretor tunisiano Abdellatif Kechiche nos apresenta o lado bestial do ser humano. A curiosidade que não encontra limite enquanto não é saciada, mesmo que dependa da humilhação de outros.

Baseado na história real da sul africana Saartjie (ótima atuação da estreante cubana Yahima Torres), que se apresentava em circos de aberrações na Londres do início do século dezenove. O público se chocava com as grandes dimensões de seu corpo (diferente do padrão da mulher européia da época) e médicos anatomistas chegavam a utilizá-la como objeto de estudos, comparando suas nádegas às de um babuíno e a dimensão de sua cabeça com a de um macaco, tentando provar a tese de que ela simbolizava o elo perdido entre os macacos e os africanos. Nesta cena que se passa logo no início, fica impossível não nos lembrarmos de situação semelhante no clássico de David Lynch: “O Homem Elefante”. A atmosfera é tão opressiva quanto!

A intenção do diretor é nos transformar em membros do público (com uso ostensivo de câmera em primeira pessoa na platéia), que assiste a degradação a qual a jovem se permite passar, em longas (muito longas) e torturantes cenas. A brutal exposição de seu corpo pode afastar o público casual, porém aqueles que suportarem os excruciantes 160 minutos da obra serão recompensados ao final, com pelo menos uma cena de extrema beleza, onde a protagonista revela seu lado humano e sensível. Não chega a ser tão eficiente quanto o clássico lamento de John Merrick no filme de Lynch (“Eu sou um ser humano!”), porém emociona.

Para terem uma noção clara do que esperar ao assistirem “Vênus Negra”, basta imaginarem uma combinação entre “O Homem Elefante” e “A Paixão de Cristo” de Mel Gibson. Em certos momentos, a exposição da humilhação humana beira o sadomasoquismo, infelizmente deixando o aprofundamento psicológico dos personagens (e suas motivações) em segundo plano. 

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