sábado, 9 de julho de 2011

Cabeçada de equipe


Barrichello cede vitória a Schumacher. Massa cede vitória a Alonso. São inúmeros os exemplos de pilotos brasileiros que sofreram com jogo de equipe enquanto pilotavam para a Ferrari.

Mas se engana quem pensa que isso é fenômeno recente. O piloto pioneiro do Brasil por excelência, Chico Landi (1907-1989), foi pioneiro até nisso. Ele mesmo contou a história durante o fim de semana do GP do Brasil de 1987, para a reportagem da Folha de S.Paulo.

Landi foi para a Itália em 1947 tentar a sorte atrás dos volantes. Na equipe Ferrari, seus companheiros eram Alberto Ascari e Luigi Villoresi. Num país que ainda removia os escombros da Segunda Guerra, Landi definia militarmente a organização da equipe: "O Ascari era o coronel, o Villoresi o major e eu era o soldado raso. Quando eles paravam para reabastecer, demoravam dez segundos. Quando eu parava, vinha nego tirar o pó do carro, limpar meus óculos, o para-brisa... eu perdia quarenta segundos em cada parada. Não podia andar na frente deles".

O episódio mais notório, ele conta, se deu no GP de Bari. Villoresi havia abandonado e, quando ele parou nos boxes, levou uma cabeçada de um dos mecânicos que jura ter sido intencional. "Enquanto faziam o curativo, o Villoresi pegou o carro e continuou a correr. Nos boxes, eu fazia sinal, mas ele não parava. Depois da corrida ele disse que não tinha visto. Pudera, quando ele passava, virava a cara".

A história se passou em 1949. Landi e o companheiro dividiram o quarto lugar na prova. Curioso que tenha sido justamente em Bari. Á parte do incidente, foi naquela mesma pista de rua que ele conseguiu dois dos mais importantes resultados da carreira fora do Brasil: venceu em 1948, em uma prova de Voiturette (espécie de avó da Fórmula 2), e em 1952, numa corrida de carros esporte.

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