terça-feira, 15 de março de 2011

O automobilismo é um anacronismo


Mal a notícia do cancelamento da cisão entre Fota e FIA começa a se espalhar, já estamos comemorando. A Fórmula 1 não se quebrará em duas. Mas... por que então estamos comemorando, se tudo continuará igual? Estamos felizes porque tiraram o bode da sala?

Convenhamos, o imbróglio das últimas semanas pode até ter sido a disputa pelo poder (financeiro incluso) entre alguns senhores de terno. Mas essa briga sempre existiu, e nem por isso houve algum dia uma ameaça tão concreta de divisão da categoria. A relação de poderes na Fórmula 1 fora da pista foi seriamente abalada, mas talvez não tanto pelos problemas internos dessa relação. A crise na Fórmula 1 é externa à Fórmula 1.

Não consigo deixar de pensar na hipótese de toda essa briga entre FIA e Fota ser um sintoma de um fenômeno um pouco maior: um deslocamento do automobilismo na esfera e no imaginário social.

Ou então o que seria o esporte a motor senão a exaltação da máquina, da liberdade individual, do movimento e deslocamento humanos ampliados, do otimismo com o progresso? Há muito o mito do progresso vem perdendo seu vigor. Não há metrópole sem engarrafamentos. Vive-se uma crise econômica de proporções não desprezíveis.

O automobilismo é um anacronismo, tanto quanto o Art Nouveau: ambos começaram a existir quase simultaneamente, nos mesmos lugares e pelo mesmo motivo. Mas enquanto já há muito não se constroi mais prédios em
Jugendstil, a Fórmula 1 sobrevive.

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